O Projeto

Cumplicidade econômica e responsabilidade de empresas nas violações de direitos humanos na Amazônia Legal durante a ditadura civil-militar brasileira (1964-1988) 

Os estudos incluem Eletronorte e Camargo Corrêa (hidrelétrica de Tucuruí); Companhia Vale do Rio Doce, SOMAFEL, Barbosa Mello Construtora e a Teixeira Duarte Construção (Estrada de Ferro Carajás); Vale do Rio Cristalino (Fazenda Volkswagen); Mendes Júnior, Cristo Redentor, C. Corrêa, Norberto Odebrecht, Andrade Gutierrez, Rabello, Queiroz Galvão (Rodovia Transamazônica); Odebrecht (Centro de Lançamento de Alcântara); Andrade Gutierrez (obras urbanas no município de Alcântara); as mineradoras Paranapanema, Brascan, a canadense Alcan e a Mineração Taboca. 

Financiada pela CHAMADA CNPQ/MCTI Nº 44/2024 – Faixa B – Grupos Consolidados, a pesquisa analisa a cumplicidade econômica entre empresas e Forças Armadas nos grandes projetos de desenvolvimento na Amazônia Legal durante a ditadura civil-militar, investigando a responsabilidade empresarial em processos repressivos e violações de direitos de trabalhadores, camponeses, ribeirinhos, indígenas e quilombolas.

Por meio da análise das relações construídas entre as Forças Armadas e setores do empresariado e da historicização de tais empreendimentos,  serão analisados: a) os planos econômicos e as políticas públicas da ditadura civil-militar para a integração da Amazônia e sua relação com interesses empresariais (Operação Amazônia, SUDAM); b) acidentes de trabalho nas construções, nas atividades agrícolas e na mineração; c) violações de direitos humanos e conflitos agrários que levaram ao deslocamento forçado da população; d) apoio ideológico da imprensa aos empreendimentos; e) impactos socioambientais dos empreendimentos, sublinhando a ação das mineradoras.

O corpus documental inclui planos econômicos, documentos dos órgãos repressivos (SNI/DOI-CODI/DOPS), das agências estatais (SUDAM, INCRA, SEMA); dos bancos financiadores (BASA, BNDES), além de acervos empresariais, imprensa nacional e local, relatórios da Comissão Nacional da Verdade, Comissões Estaduais da Verdade, Comissão Camponesa da Verdade, Comissão Pastoral da Terra e processos judiciais.